Review | Star Wars Jedi: Survivor — Uma continuação mais ambiciosa, mas não revolucionária
Desenvolvedor: Respawn Entertainment, LLC
Plataformas: PC, PS5, Series X/S, PS4 & Xbox One
Gênero: Ação e aventura
Data de Lançamento: 28 de Abril de 2023
Anunciado em maio de 2022, Star Wars Jedi: Survivor foi apresentado ao mundo como uma continuação direta de Jedi: Fallen Order — jogo que, em cerca de um ano, ultrapassou a marca de 10 milhões de cópias vendidas, consolidando-se como um verdadeiro sucesso. Diante disso, nada mais justo do que dar continuidade à jornada de Cal Kestis. Mas a pergunta que fica é: a Respawn conseguiu realmente evoluir e ampliar a experiência apresentada em 2019, ou Jedi: Survivor se limita a repetir a fórmula do antecessor?
Anunciado em maio de 2022, Star Wars Jedi: Survivor foi apresentado ao mundo como uma continuação direta de Jedi: Fallen Order — jogo que, em cerca de um ano, ultrapassou a marca de 10 milhões de cópias vendidas, consolidando-se como um verdadeiro sucesso. Diante disso, nada mais justo do que dar continuidade à jornada de Cal Kestis. Mas a pergunta que fica é: a Respawn conseguiu realmente evoluir e ampliar a experiência apresentada em 2019, ou Jedi: Survivor se limita a repetir a fórmula do antecessor?
INTRODUÇÃO
ENREDO E NARRATIVA
A narrativa se inicia com Cal Kestis aparentemente capturado e levado até o senador Saho Dejan. Pouco depois, descobrimos que tudo não passa de uma armadilha cuidadosamente planejada com o objetivo de obter informações sobre o Império — algo que poderia contribuir diretamente para a luta da Resistência. Como já era de se esperar, no entanto, as coisas não saem conforme o planejado. Durante essa sequência inicial em Coruscant, Cal conta com a ajuda de Bode Akuna, personagem que rapidamente se estabelece como uma figura importante para o desenrolar da história.
Após esses eventos, a narrativa passa a girar em torno da necessidade de reparar a nave Mantis, levando Cal até o planeta Koboh. É lá que reencontramos Greez, velho amigo e rosto conhecido do jogo anterior. Durante a busca por sucata para consertar a nave, acabamos caindo em um local que remete a antigas câmaras de treinamento Jedi, embora com características próprias e distintas do que já havia sido apresentado em Fallen Order.
Durante a exploração desse ambiente, somos apresentados à dróide Zee. Através de suas memórias, acessamos flashbacks envolvendo sua antiga mestra, que lhe confia informações cruciais sobre Tanalorr — um possível refúgio criado para Jedi que fugiam do Império, localizado além do chamado Abismo de Koboh. A partir desse ponto, Jedi: Survivor levanta uma de suas questões centrais: a possibilidade de Cal Kestis finalmente ter encontrado um propósito maior, algo que vá além da simples sobrevivência.
O jogo questiona constantemente até onde a esperança pode resistir e até que ponto ainda vale a pena continuar lutando. Essa temática se reflete diretamente na construção dos personagens e no tom da narrativa, que é consideravelmente mais sério e menos otimista do que o de seu antecessor. Ao longo da jornada, reencontramos personagens importantes, agora visivelmente marcados pelas consequências do tempo, da guerra e das escolhas feitas desde os acontecimentos do primeiro jogo.
Nesse contexto, temos o desenvolvimento da relação amorosa entre Cal e Merrin. Embora seja uma evolução natural dos personagens, essa construção poderia ter sido melhor trabalhada. Em alguns momentos, o jogo parece recuar, reforçando a ideia de que o propósito de um Jedi é maior do que seus desejos pessoais. Mais adiante, essa relação retorna de forma apressada e menos desenvolvida, soando quase como um recurso narrativo para garantir um desfecho mais otimista ao protagonista.
GAMEPLAY
Chegamos à parte mais importante de qualquer jogo: a gameplay.
Em Jedi: Survivor, a base permanece muito semelhante à de Jedi: Fallen Order, mas agora acompanhada de evoluções claras e melhorias bem-vindas, que ampliam significativamente a experiência.
Posturas e combate
Começando pelo combate, somos apresentados ao novo sistema de posturas de luta. Ao todo, são cinco posturas, com a possibilidade de equipar duas simultaneamente durante a gameplay, o que adiciona mais profundidade e liberdade estratégica.
A escolha fica totalmente nas mãos do jogador — e as opções são muito bem pensadas. Temos o sabre tradicional, o sabre de empunhadura dupla, além de posturas mais ousadas, como a que combina sabre de luz com blaster. Cada postura apresenta um estilo de gameplay distinto, com vantagens claras em determinados cenários e limitações em outros, incentivando a adaptação constante.
Essa variedade também se reflete nas animações de combate, incluindo diferentes animações de finalização que variam de acordo com a postura utilizada e o tipo de inimigo enfrentado, o que contribui para deixar os confrontos mais dinâmicos e visualmente interessantes.
Perks e builds
Outra adição relevante são os perks, que permitem montar uma espécie de mini build para o personagem. O sistema não é excessivamente complexo, mas é funcional e bem equilibrado.
Existem perks que aumentam o dano ao quebrar a postura dos inimigos, enquanto outros fazem com que o parry cause um impacto maior na barra de postura adversária. São mudanças pontuais, mas que influenciam diretamente o estilo de jogo e reforçam a sensação de personalização.
Árvores de habilidades
Assim como no título anterior, temos novamente uma árvore de habilidades, mas agora ela foi consideravelmente expandida. Como o jogo conta com cinco posturas diferentes, cada uma possui sua árvore própria, focada em aprimorar aquele estilo específico de combate.
Além disso, temos a árvore da Força, dividida entre Concentração Jedi, Telecinese e Confusão, e a árvore de Sobrevivência, que trabalha diretamente a resistência e durabilidade do personagem. O sistema como um todo é mais robusto e oferece uma progressão mais flexível e personalizada.
Exploração e travessia
Outro ponto de destaque é a travessia pelos mapas. Aqui entram em cena novas mecânicas, como o gancho e o dash no ar, que se tornam essenciais, já que os mapas são consideravelmente maiores do que em Fallen Order.
Essas adições deixam a exploração mais fluida e também melhoram o backtracking, que agora é menos cansativo graças à viagem rápida entre os pontos de meditação — uma mudança simples, mas que impacta diretamente o ritmo do jogo.
Ainda assim, o mapa 3D continua sendo um ponto problemático. Em áreas mais complexas, ele pode se tornar confuso e dificultar a navegação, especialmente durante a exploração mais avançada.
Combate com aliados
Em determinados momentos da gameplay, Cal é acompanhado por outros personagens durante missões específicas. Nessas situações, o jogo introduz uma mecânica simples de combate em conjunto, com animações sincronizadas e ataques combinados.
Nada muito aprofundado ou complexo, mas é uma adição interessante que ajuda a variar o ritmo do combate e reforça o aspecto narrativo dessas sequências.
DESEMPENHO
Falando de desempenho, é importante destacar que esta review está sendo feita em 2025, utilizando a versão atual do jogo. No lançamento, em 2023, Jedi: Survivor enfrentou sérios problemas técnicos, com quedas de FPS, falhas de renderização e instabilidade geral. Atualmente, o jogo se mantém estável a 60 FPS na maior parte do tempo, oferecendo uma experiência muito mais consistente. Ainda existem alguns bugs pontuais e quedas ocasionais de desempenho, mas, no geral, o jogo está infinitamente melhor do que em seu lançamento.
A direção de arte segue excelente e faz jus à grandiosidade da franquia Star Wars. Com mapas maiores e mais abertos, o jogo consegue transmitir com precisão a sensação de estar realmente dentro desse universo. Os cenários são muito bem construídos e carregados de identidade, com destaque especial para a Lua Despedaçada, um dos locais mais impressionantes do jogo
A trilha sonora também não decepciona. As músicas são totalmente condizentes com os momentos da narrativa, transitando entre faixas de esperança, tensão, épico e melancolia. A trilha é utilizada com precisão, elevando cenas importantes e reforçando o impacto emocional da jornada.
Algumas das melhores faixas são:
🔵 Dark Times
🔵 The Undercity
🔵 Release me
🔵 Into the storm
🔵 The Visitor
O design de som cumpre exatamente o que se espera de um jogo Star Wars. Sons de sabres de luz, blasters e habilidades da Força são extremamente satisfatórios.
O trabalho sonoro da Força, especialmente em habilidades carregadas, é convincente e reforça o peso dos poderes utilizados, resultando em um excelente design de áudio.
Jedi: Survivor apresenta evoluções claras e significativas em relação ao seu antecessor. Essa evolução é perceptível em praticamente todos os aspectos: narrativa, combate, exploração e escala.
Apesar de algumas relações entre personagens não serem tão bem desenvolvidas quanto poderiam, o jogo se sustenta muito bem. Temos uma história sólida, um combate refinado, exploração mais ambiciosa, sequências dignas da franquia e uma trilha sonora que dialoga perfeitamente com o universo Star Wars, além de um fan service bem dosado em seu ato final.
VEREDITO
Apesar de não ser uma continuação que revoluciona completamente a fórmula do primeiro jogo ou que entrega uma narrativa infinitamente superior, Jedi: Survivor é justo do início ao fim com todas as melhorias e evoluções que propõe.
Sem dúvida, trata-se do melhor jogo da franquia Star Wars até o momento



