REVIEW I Replaced uma aposta inusitada.




Replaced.

Desenvolvedor: Sad Cat Studios

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series e PC

Gênero: Ação, Aventura e Plataforma

Data de lançamento: 14 de abril de 2026


Replaced originalmente seria um jogo focado puramente em narrativa e plataforma, fortemente inspirado em clássicos como Another World. O plano era construir uma experiência simplificada, mas com um universo muito rico em lore de fundo.


À medida que o desenvolvimento avançava, a equipe decidiu que a experiência pedia mais profundidade mecânica. Eles assumiram o desafio de criar um sistema de combate complexo, elevando o escopo do jogo para uma mistura de aventura cinematográfica e ação frenética. Porém, será que conseguiram alcançar o objetivo com esse jogo?


INTRODUÇÃO.



O jogo começa com um cientista chamado Warren, que está realizando testes em R.E.A.C.H, uma inteligência artificial criada para analisar possíveis doadores de órgãos e garantir que esses órgãos estejam sempre à disposição para serem usados em cirurgias da população da cidade Phoenix. Durante esse teste, ocorre um acidente elétrico que faz com que R.E.A.C.H acabe involuntariamente se apossando do corpo de Warren.


Logo após isso, o laboratório é invadido por policiais e então começamos a ser introduzidos às mecânicas do jogo, que misturam momentos de plataforma no estilo de Uncharted, um combate inspirado na franquia Batman: Arkham e puzzles que lembram Inside.


ENREDO E NARRATIVA.



Aqui, a narrativa se desenrola de maneira semelhante à de um AAA moderno, com cutscenes e setpieces cinematográficas, mas adaptadas ao formato 2D. O jogo também não possui vozes nas falas dos personagens, fazendo com que eles precisem ser mais expressivos em seus movimentos corporais nos momentos de maior intensidade. Isso funciona até certo ponto, mas não entrega o mesmo impacto de uma atuação de voz, e o fato do jogo ter uma pegada mais cinematográfica não ajuda muito na interpretação desses personagens.


Sobre o enredo, o comentário de um jornalista o define muito bem:

> “É um comentário sobre o que significa ser humano.”

E a história segue essa premissa de uma maneira bem feijão com arroz. Os personagens são legais, mas ninguém chega a ser realmente interessante. Tanto que o protagonista, que tem a personalidade de um robô, consegue ser o personagem mais cativante daqui — o que não quer dizer muita coisa.


O jogo possui um plot twist até interessante, porém o “vilão” é muito fraco. A parte mais legal do enredo acaba sendo a lore do universo, que é mais explorada nos arquivos de texto. Enquanto isso, na superfície, temos uma história que está longe de ser ruim, mas também não chega a ser tão boa quanto poderia.


JOGABILIDADE.



Quando os trailers saíram, algumas dúvidas entraram na minha cabeça em relação à gameplay, porque o jogo tinha como proposta ser cinematográfico como um AAA contemporâneo, porém feito em uma perspectiva diferente. E bem, será que eles conseguiram fazer tudo funcionar? A resposta é: em algumas partes.


Os segmentos de plataforma conseguem ser muito interessantes, sendo até mais divertidos do que algumas de suas inspirações, com diversos trechos que realmente desafiaram a minha paciência.


Agora, o combate é uma parte um tanto problemática da jogabilidade. Muitas vezes você terá que lidar com diversos inimigos ao mesmo tempo, sejam eles atacando corpo a corpo, usando tiros, granadas ou explosões de energia. Tudo isso junto acaba se tornando uma bagunça, pois mesmo o jogo sendo 2.5D, a noção de profundidade em alguns desses segmentos é quase nula. Então acaba acontecendo de você achar que um inimigo está à sua frente, quando na verdade ele ainda está mais ao fundo do cenário.


Fora isso, muitas vezes os comandos não respondem muito bem, principalmente quando você precisa aparar algum ataque em meio a muitos inimigos. Outro problema são os inimigos que ficam invencíveis do absoluto nada, desviando de todos os seus golpes e te contra-atacando logo em seguida.


O jogo também possui um problema para mapear inimigos, já que não há como travar a mira em um alvo específico. Então, muitas vezes você acaba atacando um inimigo que não queria.


Dito tudo isso, apesar do combate meio desajeitado, os bosses não sofrem tanto com esses problemas, com exceção do último, que é justamente o único que consiste em enfrentar uma verdadeira manada de inimigos.


Para finalizar, os puzzles são bons. Não chegam a ser ultra desafiadores, mas existem alguns que são bem confusos nas instruções de como resolvê-los.


DESEMPENHO.



Essa parte não tem muito o que dizer. O jogo é bem leve e roda bem na maioria dos computadores modernos. Fiz testes até em uma NVIDIA GeForce GTX 960 de 2GB e o frame rate raramente caiu.


O jogo possui poucos bugs, com a maioria aparecendo quando você executa algum salto errado ou pula as cutscenes da luta final.


DIREÇÃO DE ARTE, SOM E TRILHA SONORA.



Esse é, de longe, o ponto mais alto do jogo. Ele faz uma mistura de Low Poly com pixel art, bem semelhante ao que jogos como Metal Gear Solid fizeram, mas com uma iluminação mais realista. Isso criou uma identidade realmente única para o jogo, tanto que esse foi o principal motivo pelo qual muita gente se interessou por ele inicialmente.


Sua trilha sonora usa muitos sintetizadores, algo característico de várias obras futuristas, principalmente Blade Runner, que claramente parece ter servido de inspiração para o enredo. Ela funciona muito bem, só não chega a ser tão marcante.


O trabalho de som também é muito competente. Um detalhe interessante está nas cenas de chuva, nas quais é possível ouvir os diferentes sons que a água produz ao cair em cada superfície.


CONSIDERAÇÕES FINAIS.



Replaced foi uma jogada bastante ousada considerando o escopo do projeto e, apesar de alguns problemas, isso não tira seus méritos.


VEREDITO.



Para quem é fã de jogos cinematográficos, Replaced pode ser uma experiência muito interessante. Mesmo com o combate sendo um pouco quebrado, ainda assim consegue ser uma experiência bastante divertida.


Nota: 3.5/5

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